Cada vez que uma fabricante anuncia um novo
componente de hardware top de linha, todos os gamers ficam babando e
imaginando o incrível desempenho do produto em jogos de última geração.
As especificações são cada vez mais impressionantes, e os preços
acompanham essa evolução frenética.
Muitos jogadores acabam desanimando com essas notícias, justamente
porque somente um computador top de linha pode rodar os jogos com
configurações máximas. Quer dizer, ao menos é o que dá a entender quando
alguns gamers se pronunciam. Será que é isso mesmo? Máquinas razoáveis
não podem apresentar desempenho similar?
Partindo dessa premissa, o Tecmundo decidiu elaborar um artigo
comparando o potencial numérico e visível de um computador de
configurações medianas com o poderio de um PC top de linha. Além disso,
analisamos as possibilidades de estreitar as diferenças de desempenho
entre eles.
Se você está pensando em montar uma máquina barata e de desempenho razoável, então, a leitura deste artigo é recomendada.
Configurações das máquinas
Antes de começar nossa comparação, vale uma pausa para relatar as
configurações de cada computador. Veja na tabela abaixo as diferenças
entre os componentes e os valores.
Pesquisa de preços realizada nos sites Buscapé, Pichau, Kabum! e MegaMamute.
Considerando que o foco dessas máquinas é a execução de jogos, nosso
comparativo será limitado a três principais itens: processador, placa de
vídeo e drive de armazenamento. Não realizamos testes reais entre os
computadores, sendo que nosso artigo foi baseado em números disponíveis
na web.
Diferenças entre os processadores
Em uma rápida análise, fica claro que o Phenom II X4 960T opera em
uma frequência mais baixa do que o i7-2700k. A CPU da AMD conta com 2 MB
de memória cache L2 e 6 MB de cache L3, enquanto a da Intel usa 8 MB de
memória cache L3. Ambos possuem função Turbo, a qual aumenta o clock em
400 MHz na hora do apuro.
A quantidade de núcleos é a mesma, mas o modelo da Intel pode
trabalhar com o dobro de threads. O TDP dos dois é igual, o que
significa que eles devem operar em temperaturas semelhantes. A
nanotecnologia do processador Intel é de 32 nm, a do AMD é de 45 nm.
O processador em números
Vasculhando a web, não encontramos comparativos diretos entre esses
processadores. Contudo, muitas análises usam os mesmos softwares, por
isso, é possível saber a diferença entre eles. Em benchmarks, o
processador da Intel leva vantagem em muitos aplicativos.
Na hora de executar jogos, vemos que os 500 MHz a mais e a arquitetura diferente da
Intel
não apresentam grande vantagem. A CPU da AMD é capaz de rodar quaisquer
games de última geração em configurações máximas. Em determinados
jogos, entretanto, o i7-2700k pode apresentar um pequeno ganho na taxa
de quadros por segundo.
Análise do desempenho visual
Apesar de existir uma diferença em testes, na hora de reproduzir
jogos, leva-se em consideração a fluidez das cenas. Em geral, as pessoas
não sentem desconforto com taxas de quadros acima de 30 fps. Jogadores
mais exigentes relatam que o ideal é manter esse número em 60 fps,
garantindo uma reprodução mais suave.
Seja qual for o número, os dois processadores utilizados podem manter
excelentes taxas em jogos que utilizem a resolução Full HD. Claro, a
CPU não desempenha o papel principal nesses casos, por isso, a execução
dos jogos vai depender muito mais da placa de vídeo.
Desbloqueando o processador AMD
Para igualar o desempenho, é possível realizar um overclock. Esse
procedimento força o chip a operar em uma frequência acima da qual ele
utiliza como padrão. Como consequência, o processo resulta num aumento
de temperatura. É um recurso desnecessário quando a CPU está oferecendo
bom desempenho, além de ser arriscado.
Você talvez não tenha compreendido por que selecionamos o Phenom II
X4 960T como chip da nossa máquina de baixo custo. Pois bem, um dos
diferenciais desse processador é um recurso que pode aumentar o
desempenho consideravelmente — e sem correr riscos.
Trata-se do desbloqueio de núcleos, técnica que permite liberar dois
núcleos a mais, aumentando o desempenho da CPU em diversas tarefas. Em
benchmarks do site Tom’s Hardware, fica claro que o processador
AMD tem um ganho significativo quando opera com seis núcleos.
Diferenças entre as placas de vídeo
A Radeon HD 6850 opera na frequência de 775 MHz, conta com memória
GDDR5 de 4 GHz e oferece a taxa de transferência de 128 GB/s. A HD 6970
oferece uma GPU mais veloz (cerca de 100 MHz a mais), memória com clock
de 5,5 GHz e taxa de transferência de 176 GB/s.
Analisando apenas esses números, fica claro que a Radeon HD 6970 é
muito mais potente. Todavia, as diferenças nas especificações não
implicam necessariamente em um aumento brutal no desempenho dos jogos.
Resultados em jogos
Analisando os benchmarks do site The Guru of 3D, podemos verificar
que, na resolução de 1920x1200 pixels, a Radeon HD 6850 se comporta
muito bem, mantendo taxas muito próximas de 60 fps. A Radeon HD 6970
geralmente mantém desempenho muito superior, garantindo de 20 a 30
frames a mais por segundo.
Isso quer dizer que qualquer uma das placas garante a execução da
maior parte dos games mais recentes com qualidade excelente e velocidade
satisfatória. Quanto à Radeon HD 6850, as baixas taxas de frames não
vão resultar em um desconforto visual — salvo raras exceções de games
que sejam impossíveis de rodar com uma única placa.
É possível igualar o desempenho?
Um overclock poderia diminuir as diferenças entre as duas placas. O
próprio software da AMD oferece configurações para aumentar as
frequências da GPU e da memória da placa de vídeo. As consequências?
Bom, o aumento na taxa de quadros por segundo seria notável. Conforme o
aumento no clock, talvez, seria possível até deixar o desempenho muito
próximo.
Assim como traz benefícios, o
overclock
também pode acarretar em problemas posteriores. Os sistemas de
refrigeração que acompanham as placas até aguentam pequenos aumentos de
temperatura. Entretanto, dependendo do overclock, seria necessário
substituir o dissipador.
Isso sem falar na redução da vida útil da GPU e na possibilidade de
causar danos irreversíveis a alguns componentes da placa gráfica. Moral
da história? Uma
Radeon
HD 6850 pode oferecer desempenho satisfatório em quase todos os jogos
modernos, portanto, o ideal é evitar usar o recurso de overclock.
Devo usar um SSD?
Mudar de um disco rígido para um drive de estado sólido pode fazer
toda a diferença. Ao menos isso é perceptível na inicialização do
Windows. Mas e quanto aos jogos? Usar um SSD para trabalhar com jogos
pode ser interessante, todavia, isso não significa necessariamente um
ganho na taxa de quadros por segundo.
Substituir um HD por um SSD pode garantir tempos mais curtos de
carregamento das fases. Além disso, o SSD pode oferecer excelente
desempenho em jogos que não fazem o armazenamento dos níveis (isso
inclui texturas, sombras, luzes, polígonos, wireframes e muitos mais) na
memória RAM.
É recomendável um
SSD?
Não exatamente. O drive de estado sólido pode aumentar a velocidade nos
jogos, mas ele não será um fator diferencial em todos os games. O
importante mesmo é ter memória RAM suficiente para armazenar todo o
carregamento do jogo, assim, até mesmo um disco rígido pode quebrar um
galho.
A melhor relação custo-benefício
Enfim, como você pôde ver, um PC de 2 mil reais pode oferecer
desempenho similar ao de um computador que custe o triplo do valor.
Claro, se realizarmos overclocks na máquina top de linha, não há como um
sistema mais simples alcançar os mesmos resultados. Assim, fica claro
que muitas vezes vale a pena observar a relação custo-benefício.
Nossa dica final é para você que está montando um computador de
jogos. Pense bem antes de comprar os componentes, pois gastar rios de
dinheiro nem sempre é o melhor caminho. Visualmente falando, uma máquina
razoável consegue oferecer resultados excelentes, com gráficos muito
superiores aos que você vê nos atuais consoles.